
O Conceito de Concreto Inteligente
"O que não pode ser medido, não pode ser melhorado."
Por décadas, a avaliação de um traço de concreto esteve ancorada em dois pilares principais: resistência (fck) e custo. Embora eficaz, essa abordagem bidimensional hoje se mostra insuficiente para as complexidades da construção civil moderna.
O mundo mudou. A urgência climática exige um olhar atento ao impacto ambiental, enquanto a busca por edificações mais duráveis demanda uma gestão de riscos muito mais sofisticada. Não basta que o concreto seja forte e barato; ele precisa ser sustentável, resiliente e confiável ao longo de todo o seu ciclo de vida.
Desempenho
Resistência, trabalhabilidade e durabilidade mecânica.
Custo
Otimização financeira em todo o processo construtivo.
Sustentabilidade
Ecoeficiência: CO₂, recursos naturais, ecotoxicidade.
Gestão de Riscos
Análise preditiva de patologias e falhas.
Metodologia Científica
Baseado na Função de Desejabilidade de Derringer-Suich (1980), validada academicamente por Souza et al. (2021).
Função de Desejabilidade
A função de desejabilidade é um método estatístico para otimização de múltiplas respostas. A ideia central é que a "qualidade" de um produto com múltiplas características é completamente inaceitável se qualquer uma delas estiver fora dos limites desejados.
Desejabilidade Global (D):
D = (d₁ × d₂ × ... × dₖ)1/k
Onde k = número de respostas e dᵢ = desejabilidade individual (0 a 1)
Propriedade importante: Se qualquer resposta Yᵢ for completamente indesejável (dᵢ = 0), a desejabilidade global será zero.
Sobre os Ombros de Gigantes
"A metodologia de ecoeficiência utilizada nesta plataforma é inspirada no trabalho de Souza, A. M. et al. (2021), 'Application of the desirability function for the development of new composite eco-efficiency indicators for concrete', publicado no Journal of Building Engineering."
DOI: 10.1016/j.jobe.2021.102374"Dai a cada um o que lhe é devido" — Romanos 13:7
Os 6 Indicadores de Ecoeficiência
Cada indicador é transformado em uma nota de 0 a 1, onde 1 representa o cenário mais desejável (maior ecoeficiência).
Redução de Impactos de Energia
Mede o consumo de energia não renovável (petróleo, carvão) na fabricação dos componentes, principalmente o cimento.
Redução de Impactos de Materiais
Avalia o esgotamento de recursos naturais. Um RIM alto indica bom uso de materiais reciclados e eficiência hídrica.
Redução de Gases de Efeito Estufa
O indicador mais famoso. Mede a contribuição do seu concreto para o aquecimento global (pegada de carbono).
Redução do Potencial de Ecotoxicidade
Avalia o risco de substâncias químicas presentes nos materiais causarem danos à vida aquática e terrestre.
Acidificação, Eutrofização, Ozônio
Mede a emissão de gases que, além do efeito estufa, degradam a atmosfera de outras formas (chuva ácida, ozônio).
Ecoeficiência Potencial
Consolida tudo em uma única nota, representando a 'Ecoeficiência Potencial' do seu traço de concreto.
Os 7 Domínios de Risco
Análise preditiva de patologias em sete áreas fundamentais do ciclo de vida do concreto.
Retração
A tendência do concreto de encolher ao secar. Previne fissuras superficiais nas primeiras horas.
Aderência
A 'cola' entre o concreto e outros materiais (aço, revestimentos).
Acústica
A capacidade do concreto de isolar ruídos conforme NBR 15575.
Bombeamento
A fluidez e coesão do concreto para ser bombeado sem entupimentos.
Fissuração
O risco de surgirem fissuras por calor, carga ou outras tensões estruturais.
Cura
O processo de endurecimento e ganho de resistência do concreto.
Execução
A qualidade dos processos no canteiro: vibração, fôrmas, logística.
Sistema de Pesos
Atribua importância de 1 a 5 para cada critério. Os pesos são convertidos em expoentes da função de desejabilidade.
| Peso | Descrição | Expoente (s) | Comportamento |
|---|---|---|---|
| 1 | Pouco Importante | 0.2 | Convexa (aceita valores baixos) |
| 2 | Relevante | 0.5 | Ligeiramente Convexa |
| 3 | Importante | 1.0 | Linear (padrão) |
| 4 | Muito Importante | 2.0 | Ligeiramente Côncava |
| 5 | Crítico | 5.0 | Côncava (exige valores altos) |
Índice ECORISK (Dw)
Fórmula da Desejabilidade Global Ponderada:
Dw = (d₁w₁ × d₂w₂ × ... × d₁₃w₁₃)1/(w₁+w₂+...+w₁₃)
Este Índice ECORISK (Dw), um valor único entre 0 e 1, representa a "qualidade geral" do traço de concreto, considerando simultaneamente seu desempenho técnico, riscos e impacto ambiental, tudo ponderado pelas prioridades do projeto.
Fluxo de Decisão
Da medição à ação: como o ECORISK transforma dados em decisões inteligentes.
Calcule
Analise seu traço atual e obtenha um Índice ECORISK (ex: 0.68).
Diagnostique
Visualize quais critérios estão puxando seu índice para baixo (gráfico de radar).
Receba Recomendações
O Intelligence Core sugere ações específicas de mitigação.
Simule
Crie uma versão 2 do seu traço com as alterações sugeridas.
Compare e Decida
Veja lado a lado os índices e tome a decisão baseada em dados.
Calcule seu Índice ECORISK
Atribua pesos aos 13 critérios de ecoeficiência e risco para visualizar o índice do seu traço em tempo real.
Índice ECORISK®
Atribua pesos aos 13 critérios e visualize seu índice em tempo real
Índice ECORISK
Traço bem equilibrado
Ecoeficiência
60%Gestão de Risco
60%Radar de Ecoeficiência
Radar de Gestão de Risco
Indicadores de Ecoeficiência
6 critériosRedução de Impactos de Energia
Consumo de energia não renovável na fabricação
Importante
Redução de Impactos de Materiais
Esgotamento de recursos naturais e eficiência hídrica
Importante
Redução de Gases de Efeito Estufa
Pegada de carbono e aquecimento global
Importante
Redução do Potencial de Ecotoxicidade
Risco de danos à vida aquática e terrestre
Importante
Acidificação, Eutrofização, Ozônio
Degradação atmosférica e chuva ácida
Importante
Ecoeficiência Potencial
Nota consolidada de ecoeficiência
Importante
Domínios de Risco
7 critériosRetração
Tendência de encolher ao secar
Importante
Aderência
Ligação com aço e revestimentos
Importante
Acústica
Isolamento de ruídos (NBR 15575)
Importante
Bombeamento
Fluidez e coesão para bombeamento
Importante
Fissuração
Risco de fissuras por calor ou carga
Importante
Cura
Endurecimento e ganho de resistência
Importante
Execução
Qualidade dos processos no canteiro
Importante
Como funciona: O índice ECORISK é calculado usando a função de desejabilidade de Derringer-Suich (1980), onde cada peso define o expoente da função. Pesos maiores tornam o critério mais exigente.
Fórmula: ECORISK = (Ecoeficiência × 0.6) + (Gestão de Risco × 0.4)
CarbonCore®
ESG Tracking
O módulo CarbonCore® transforma os indicadores ECORISK em métricas ESG tangíveis — desde a redução de CO₂ até a predição de vida útil da estrutura.
Toneladas de CO₂
Redução potencial por projeto de grande porte
Anos de Vida Útil
Predição baseada em análise de riscos integrada

Da teoria à prática:
Cada traço otimizado contribui para um futuro mais sustentável.
CONTINUE SUA JORNADA ESG
Da ecoeficiência à prática: três caminhos para aprofundar
Referências Acadêmicas
Metodologia Base
[1] Derringer, G., & Suich, R. (1980). Simultaneous Optimization of Several Response Variables. Journal of Quality Technology, 12(4), 214-219.
[2] Souza, A. M. et al. (2021). Application of the desirability function for the development of new composite eco-efficiency indicators for concrete. Journal of Building Engineering, 40, 102374. DOI: 10.1016/j.jobe.2021.102374
[3] Costa, T. F. et al. (2024). CALCRETE: Uma Ferramenta Didática de Auxílio à Obtenção de Traços, Custos e Indicadores de Ecoeficiência de Concretos para Dispositivos Android. COBENGE 2024.
Ecoeficiência e Sustentabilidade
[4] Zandifaez, P. et al. (2024). A systematic review on energy-efficient concrete: Indicators, performance metrics, strategies and future trends. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 194. DOI: 10.1016/j.rser.2024.114297
[5] Adesina, A. (2020). Recent advances in the concrete industry to reduce its carbon dioxide emissions. Environmental Challenges, 1, 100004. Citado por 428.
[6] Ma, X. et al. (2025). A carbon footprint assessment for usage of recycled aggregate and supplementary cementitious materials for sustainable concrete. Journal of Cleaner Production. Citado por 39.
[7] Marandi, N. & Shirzad, S. (2025). Sustainable cement and concrete technologies: A review of materials and processes for carbon reduction. Innovative Infrastructure Solutions. Citado por 13.
Durabilidade e Vida Útil
[8] Alexander, M. & Beushausen, H. (2019). Durability, service life prediction, and modelling for reinforced concrete structures – review and critique. Cement and Concrete Research, 122, 197-217. Citado por 496.
[9] Cusson, D., Lounis, Z. & Daigle, L. (2011). Durability monitoring for improved service life predictions of concrete bridge decks in corrosive environments. Computer-Aided Civil and Infrastructure Engineering, 26(7), 524-541. Citado por 120.
Reologia e Empacotamento de Partículas
[10] Mandal, R. et al. (2023). Rheology of Concrete: Critical Review, recent Advancements and future prospectives. Construction and Building Materials, 392, 131829. Citado por 117.
[11] Kurda, R. et al. (2022). Mix design of concrete: Advanced particle packing model by developing and combining multiple frameworks. Construction and Building Materials, 320, 126219. Citado por 47.
[12] Sonebi, M. et al. (2023). Measuring Rheological Properties of Cement-based Materials. RILEM TC 266-MRP. Springer. Citado por 11.
Materiais Cimentícios Suplementares
[13] Lothenbach, B. et al. (2011). Supplementary cementitious materials. Cement and Concrete Research, 41(12), 1244-1256. Citado por 3912.
[14] Ahmed, A. et al. (2024). Assessing the effects of supplementary cementitious materials on strength, workability, and durability of concrete. Innovative Infrastructure Solutions. Citado por 51.
